Casos de AVC crescem 55% no Rio Grande do Norte

O número de pessoas diagnosticadas com Acidente Vascular Cerebral atendidas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a maior unidade de urgência e emergência do Estado, aumentou 54,86% de janeiro a setembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Das 1.183 vítimas de AVC que receberam atendimento entre os meses de janeiro e setembro de 2019, o número saltou para 1.832 no mesmo intervalo de tempo deste ano. Em número absolutos são 649 vítimas a mais do AVC, o que causa preocupação na classe médica e expõe, ainda mais, a frágil rede de atendimento às vítimas dessa doença.

O AVC é causado pela obstrução de alguma artéria no cérebro ou sangramento com lesão bem localizada. Por isso, os sintomas são típicos e detectáveis é sentir fraqueza ou dormência de um lado do corpo, na face, braço ou perna; confusão mental com dificuldade para falar e compreender; e alterações de memória. Os sintomas surgem de maneira abrupta e a orientação é para que se procure imediatamente o hospital porque se trata de uma emergência médica.

O AVC ainda é uma doença que, predominantemente, acomete pessoas idosas, pois, é o grupo que, mais freqüentemente, também apresenta maiores fatores de risco. Contudo, pode ocorrer em qualquer faixa etária.

Apesar da rapidez com que se apresenta e evolui, nem todo paciente acometido por um AVC ficará com seqüelas ou necessitará de cirurgia. A extensão da doença, a localização, o tipo, a idade do paciente, são predominantes para a avaliação clínica do dano causado. Mas, para aqueles que ficarem sequelados, felizmente, a atuação de uma equipe multiprofissional de reabilitação (fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais) contribui na melhoria e superação do quadro do doente, possibilitando o retorno de suas funções motoras, fala e atividades da vida diária. Em 80% dos casos não há necessidade de cirurgia, sendo necessário apenas o tratamento clínico.

Neurologista Marcelo Marinho chama atenção para riscos do AVC .A Sesap diz que está melhorando atendimento. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) disse que está aprimorando o fluxo de atendimento de pacientes com Acidente Vascular, com o objetivo de ampliar a resolutividade dos serviços e diminuir o tempo de respostas para essas patologias.

Segundo a pasta, atualmente os pacientes são atendidos inicialmente nas UPAs, que realizam uma avaliação para constatar o derrame cerebral. Confirmado, os encaminham para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ou para o Hospital Tarcísio Maia, que são as unidades de referência no Estado para esse atendimento onde realizam exame de tomografia de crânio e os médicos avaliam a necessidade de neurocirugia.

“Para o novo fluxo que vem sendo desenhado pelo Estado, foram adquiridos e estão sendo instalados tomógrafos no Hospital Giselda Trigueiro, no Hospital Regional Telecila Freitas Fontes (Hospital Regional do Seridó), em Caicó, e no Hospital Regional Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros. Além disso, o Hospital da Polícia e o Hospital Deoclécio Marques de Lucena também entrarão no fluxo, por meio da realização de tomografias, para garantir maior agilidade no diagnóstico”, disse em nota. Segundo a Sesap, esse novo fluxo deve descentralizar os exames de tomografia que indicarão a necessidade de cirurgias que continuarão sendo encaminhadas ao Tarcísio Maia ou para o Walfredo Gurgel. Estrutura de atendimento público é precária no Estado. No Rio Grande do Norte, além do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, apenas o Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró, tem estrutura para socorrer as vítimas de um Acidente Vascular Cerebral. Isso dificulta o tratamento que precisa ser imediato e exige maior prevenção da população para evitar a doença.O neurologista do HMWG, Marcelo Marinho, explicou que o tempo para identificar os sintomas, procurar um pronto socorro e receber o tratamento correto é muito curto para quem está sofrendo um derrame.

8 de outubro de 2020 - 7:31h