Preço da carne no RN aumenta em até 20% para consumidor final

Os consumidores natalenses estão tendo de lidar com um aumento considerável no preço da carne bovina em Natal. De acordo com a Associação Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), a elevação no preço vem sendo sentida nos últimos 15 dias e há uma variação de 15 a 20%.

Novos preços têm sido alvo de reclamação pelos consumidores, embora consumo esteja se mantendo, segundo comerciantes
“Carne subiu muito, muito mesmo. Carne subiu em torno de 15% a 20% nos últimos 15 dias. Só que a gente não consegue repassar isso de imediato porque choca muito o consumidor. Esse aumento de até 15% a gente deu para o consumidor. Agora para nós dos supermercados foi até 25% a 30%”, disse Geraldo Paiva, diretor da Assurn e presidente do Sindicato dos Supermercados.

O principal motivo dos preços terem crescido se dá em virtude do aumento das exportações para a China, após a produção da proteína animal no país ser atingida pela peste africana. Com isso, visando abastecer o mercado interno, os chineses se viram obrigados a recorrer a importações. A oferta no Brasil diminui e consequentemente, acaba subindo os preços. Além dessas questões, o Brasil é o exportador de carne bovina do mundo.

Em um açougue do Alecrim, por exemplo o quilo da carne de primeira qualidade tinha preço que variava entre R$ 20 e R$ 25. De acordo com a gerente Rosa Campêlo, 52 anos, o produto agora sai por R$ 30.

“A de segunda foi a que aumentou mesmo. A de segunda você vendia de R$ 15. Foi para R$ 20, R$ 22”, comenta a gerente, que há 30 anos trabalha no mercado de carnes em Natal. “Tá todo mundo reclamando. Os consumidores alegam que ninguém vai ter condições de consumir a carne. Estão optando pelo frango”, acrescenta Rosa.

O aumento também foi constatado em um açougue da Cidade Alta. O gerente Giovane Irineu, por exemplo, disse que o aumento na carne de primeira era de R$ 28,99, o quilo, e saltou para R$ 38,00. Um aumento de 31%. Na loja que ele trabalha, a carne de segunda era de R$ 12 e foi para R$ 15, também o quilo. Os valores estão sendo praticados há um mês.

“Os consumidores reclamam, mas estão levando. Hoje em dia as pessoas não estão comprando por quilo. Compra mais para o dia, para o almoço. A carne que mais sai aqui é a de segunda”, revela.

As carnes tidas como nobres também apresentaram aumento considerável em Natal. Peças como maminha, alcatra, filé mignon, costela, entre outros, estão com novos preços. Giovane conta que a picanha variava entre R$ 40 e R$ 45 e saltou para R$ 60. Já a alcatra era R$ 28 e foi para R$ 38.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para saber do impacto do preço da carne na cesta básica em Natal,  mas foi informado que não poderia passar dados preliminares sobre o assunto. O próximo levantamento será divulgado no próximo dia 04 de dezembro.

Aumento da carne
O preço da carne repassado ao consumidor final está se intensificando em virtude da alta demanda de exportações, diminuição no índice das chuvas a baixa quantidade de estoque disponível para o mercado local. As vendas para outros países, uma vez que o Brasil é o principal exportador de carne bovina, são um dos fatores que encarecem o produto.

Entre julho e novembro, houve um crescimento de 10% no número de exportações, de acordo com Maísa Silva, diretora comercial da M&M Indústria Alimentícia. Em comparação com o mesmo período de novembro de 2018, o crescimento na demanda por carnes foi de 35%. Os dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) somam-se ao aumento também da demanda no consumo motivado pelas festas e comemorações de final do ano.

“São esses os fatores que causam o aumento no preço das carnes para o mercado, isso faz com que o consumidor final também perceba essa variação”.

O aumento no preço das carnes é uma tendência normalmente percebida durante esta época do ano. Entre julho e novembro, o período da entressafra sofre com a estiagem causada pela diminuição de chuvas, o que afeta no desenvolvimento do boi e na produção das carnes. “Aliado a isso, houve uma maior demanda internacional para exportação de carnes, principalmente para China e Rússia. Isso significa menor disponibilidade para o mercado interno e, consequentemente, alta nos preços”, explica Maísa Silva.

Fonte: Tribuna do Norte

28 de novembro de 2019 - 7:43h